A série Sex Education, da Netflix, tornou-se um estrondoso sucesso no ano passado por tratar de forma sensível e bem-humorada questões importantes relacionadas à educação sexual.

A 3 ª temporada, que acaba de estreiar, continuará a seguir Otis (Asa Butterfield) um garoto que, mesmo sendo “virgem”, dá conselhos a seus colegas adolescentes sobre os mais diversos aspectos da sexualidade.  A experiência de Otis vem da convivência com sua mãe, que é terapeuta sexual.

Ambientada numa escola  no interior da Inglaterra, a série tem personagens carismáticos, como Meave (Emma Mackey), a sócia de Otis no consultório clandestino e o melhor amigo de Otis, Eric (Ncuti Gatwa), um jovem nigeriano gay.

A grande sacada de Sex Education é utilizar as dúvidas e encanações de personagens adolescentes para falar de problemas ligados ao sexo que quase todo mundo já enfrentou e muitos de nós ainda enfrentam – por falta de uma educação sexual adequada.

É bom lembrar que até hoje, em muitas escolas, as aulas de educação sexual geralmente se resumem a explicar a anatomia do aparelho reprodutor.

Orgasmo, masturbação, abusos, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), diversidade sexual  e autoconhecimento, por exemplo, são os temas tratados de  forma clara e direta, sem apelação, mas com um humor agudo e inteligente. Além disso, mostra como a falta de conhecimento e conversas mais abertas sobre sexo pode afetar negativamente os adolescentes.

Pensando nisso, selecionamos 4 temas abordados na série. Confira!

1. Masturbação é bom e é normal

Já está cientificamente comprovado que masturbação faz bem para a saúde física e mental. Ela reduz o stress, a ansiedade e fortalece o sistema imunológico. Além disso, é um ótimo meio para conhecermos os mecanismos de funcionamento do desejo e do próprio corpo, aumentando o controle e a confiança. De todo modo, tudo isso resulta na melhora da performance sexual. Na verdade, quantos de nós perderam tempo ou nunca se permitiram usufruir dos benefícios desta forma simples, natural e normal de autoconhecimento e prazer?

No entanto, é provável que ninguém gostasse de estar na pele do jovem Otis quando sua mãe terapeuta lhe diz: “Reparei que você está com dificuldade para se masturbar e me perguntei se você gostaria de falar sobre isso”. Aí já terapêutico demais, não?

Sex Education: entenda por que a série é um sucesso
Otis e sua mãe terapeuta

2.  Diversidade sexual – E daí?

Sex Education tem dois personagens principais abertamente gays. A vida sexual de um casal de lésbicas é o tema central de um dos episódios na primeira temporada. Como diria Anwar, um dos jovens mais populares da escola (que também é gay): “Você sabe que homofobia é coisa de 2008, certo? Out total.”  

Estudar em escolas onde é possível  falar abertamente sobre temas LGBTQI+ ajuda a eliminar preconceitos e melhorar o entendimento geral. Quantas pessoas tiveram relacionamentos frustrados ou deixaram de viver um grande romance por não conhecerem a orientação sexual própria ou de quem se sentiam atração?

3. Fazer muito sexo não é só para jovens

Gillian Anderson, a mãe de Otis, tem 50 anos. Sua personagem é descrita como “um tipo de bruxa sexy” pelo colega de escola de seu filho. Além disso, ela passa a maior parte do tempo fazendo sexo casual com homens mais jovens em sua casa, cheia de imagens do Kama Sutra e esculturas falais. E, embora ela certamente precise trabalhar seus limites em torno de seu  filho, sua vida sexual, ainda que apresentada como um pouco incomum, certamente não é estigmatizada. Assim, com mais informação e perspectiva de longo prazo, a pressão pelo sexo rápido, quase mecânico pode dar lugar a uma valorização do aprendizado, das preliminares, da busca por um estilo pessoal de se relacionar, fazer sexo, ter prazer e ser feliz.

4. Precisamos repensar o que “sexo” realmente é

Ainda hoje, há um enfoque predominante sobre  sexo “pênis na vagina”. Pouquíssimas escolas  se propõem a falar também sobre outras formas de contato sexual e prazer.

Há uma cena em Sex Education, em que a esposa de um casal religioso expressa seu horror por seu parceiro ter feito sexo antes do casamento, enquanto ela permaneceu pura. Acontece que como “pura” ela quer dizer que fez”oral, 69, um pouco de anal … mas nada de sexo”.  E assim é com várias questões envolvendo o sexo:  falta de informação embrulhada em camadas e camadas de tabus, hipocrisia e preconceitos.

Portanto, ao descobrir ainda jovens outras formas de sexo e modalidades de prazer, abre-se um mundo de possibilidades e cada um tem mais chances de se descobrir.

Dessa forma, conversas honestas e de apoio sobre sexo são vitais para reduzir o estigma e aumentar a segurança e o prazer para todos. A série Sex Education tem tudo a ver com isso.

A criadora da série, Laurie Nunn, disse à revista The Hollywood Reporter que a responsabilidade educacional é primordial em seu trabalho. “Segundo ela, “a pessoa mais importante com a qual trabalhamos é um educador sexual, que nos dá um feedback sobre roteiro, certificando que as informações estejam corretas e que não estamos colocando nada no programa que possa ser potencialmente prejudicial. Em seguida, nós nos asseguramos de que é engraçado e humano também”.

Então, ficou curioso sobre mais este sucesso da Netflix?