The Sound, uma agência especializada em comportamento do consumidor, estratégia de marca e inovação, realizou um estudo nos EUA e Canadá chamado “Sexo nos tempos de covid-19”. Para 51% dos participantes a vida sexual “permaneceu a mesma”, para alguns melhorou (15%), mas para 34% dos entrevistados a situação piorou. Esses resultados são bem diferentes sobre como as pessoas descreviam suas vidas sexuais há 6 meses.

Uma vida sexual saudável beneficia a saúde geral e o bem-estar. Pessoas que praticam mais sexo têm uma melhor qualidade de vida; relacionamentos em que ambos os parceiros experimentam orgasmo durante o sexo são mais felizes; e  casais que fazem mais sexo discutem menos e estão mais alinhados no geral.

Apesar desses importantes dados, parece que a maioria de nós sempre considerou o sexo como “garantido”. Afinal, quem poderia imaginar o que nos aguardava. Assim, mantínhamos nossa vida sexual geralmente definida como boa, rotineira, ou ótima. A frequência com que o sexo acontecia, ou não, raramente era examinada.

NOVOS PARÂMETROS

O impacto da covid-19 nos deu a oportunidade de fazer um balanço mais cuidadoso de nossas vidas pessoais e profissionais para entender melhor o que mudou, o que permaneceu igual e o que precisa melhorar daqui para frente. E isso não é diferente quando se trata da necessidade de falar sobre sexo. Compreender essa nova realidade nos aparelha para dar um passo na direção de  obter uma compreensão mais profunda e mais empática de nós mesmos – tanto dentro quanto fora do quarto.

O estudo revelou três mentalidades distintas que as pessoas estão tendo em resposta à covid-19 em relação ao sexo. Essas mentalidades se manifestam em graus variados entre os tipos de relacionamento, mas uma delas transcende todos os relacionamentos e situações de vida: um maior desejo de alguma forma de exploração e experimentação.

MORANDO SOZINHO

Para quem mora só, o confinamento possibilitou uma chance de experimentar novos tipos de sexo: virtual, sexting, sex toys, ou até mesmo pornografia. Muitos participantes responderam que o sexo online começou de maneira espontânea. “Estávamos conversando, o assunto foi ficando quente e quando vimos estávamos fazendo sexo”. Outros preferem o sexo via sexting, principalmente se for com alguém com que não tinham intimidade antes. Os sex toys viraram os queridinhos de muitos, trazendo ao mesmo tempo prazer e autoconhecimento.

VIVENDO COM O PARCEIRO

Entre os que vivem com seus parceiros, o espectro de experiências durante a pandemia é maior. Como resultado da exploração, intimidade e conexão estão em alta. Para aqueles que responderam que estão fazendo mais sexo agora (15%), este período está sendo usado para tentar o novo, de forma espontânea e divertida.  O uso de fantasias, de novas posições e situações inusitadas foram os mais citados.

“Meu marido e eu provavelmente estamos fazendo mais sexo no momento. Nós começamos a explorar coisas que não explorávamos anteriormente. Eu acho que é um muito mais fácil experimentar coisas novas quando você tem mais tempo em casa. Muito dos brinquedos que compramos saíram da gaveta”.

Estar com um parceiro em quem confiamos torna este um momento e espaço seguros para experimentar. Se as crianças estão em casa, então é preciso ser  mais criativo em como e quando fazer sexo, o que torna a conexão mais emocionante.

INDIFERENTES

Para 51% dos participantes, o confinamento não fez diferença alguma – suas vidas sexuais são consistentes e mantêm o mesmo ritmo. Apesar da mudança na rotina, eles não alteraram sua vida sexual.

PERDA DA LIBIDO

Mas, para muitos, estar junto 24 horas por dia, 7 dias por semana, traz problemas: mais tempo juntos pode significar mais irritação no geral, que se espalha em suas vidas sexuais, entorpecendo o sexo, que deixa de ser excitante. “Sexo costumava ser especial, em várias ocasiões. Era romance. Agora não é mais”.

Para essas pessoas (34% das respostas), com o trabalho, filhos e tarefas domésticas, não resta energia para fazer mais nada. A situação fica ainda pior para aqueles que tinham um realcionamento aberto (com vários parceiros). Não poder encontrar outros parceiros significou uma grande perda para suas vidas sexuais.

Embora o confinamento certamente não esteja trazendo felicidade sexual para todos, muitos estão escolhendo ver este momento como uma oportunidade – para olhar para dentro de si e examinar suas próprias necessidades de prazer, para comemorar o maior acesso aos seus parceiros, e, mais bravamente, para encontrar maneiras inovadoras e criativas de manter ou experimentar a intimidade, independentemente de sua situação de vida. Prova disso é que 32% dos participantes disseram que, no futuro, pretendem reexaminar sua sua vida sexual seja consigo mesmo com com seus parceiros.

Editado do original em The Sound